Especial METAL RO 15 anos – Parte 2 (Final)

O ano de 2005 foi promissor para o Metal Rondoniense, pois o público não parava de crescer, além do surgimento de novas bandas, haviam em média dois eventos por mês. A Cogumelo Nuclear se revezava com o METAL RO em promoção de eventos, além de outros que misturavam diferentes vertentes do Rock – que nunca deu muita bola para incluir bandas de Metal em seus eventos – passou a ser comum, já que atraía público e consequentemente mais bilheteria e lucro no bar.

Nisso, surgiu o Alcova City, lugar herdado do antigo Urublues, que se dissolveu após o Madeira Festival. O local contava com a capacidade para 250 pessoas, laudo do Corpo de Bombeiros, palco, com algumas PA’s, espaço para o mesário trabalhar e um minúsculo camarim, que servia mais para guardar os instrumentos das bandas.

No Alcova City foi realizado o “METAL RO FEST III“, um minifestival com 9 bandas: Awake, Bedroyt, DogmaHellfire Club, Death Crew, OblivionApós a publicação do cartaz oficial, mais 3 bandas foram incluídas: Trendkill, Incinerador e Silver Cry (Rio Branco-AC). A banda Lake Bodom (Death Metal Melódico) mudou o nome para Death Crew na época.

Esse evento foi histórico por vários motivos: a expectativa pelo público era enorme, pois houve caravanas de pessoas de Rio Branco (acompanhando a banda Silver Cry) e de Guajará Mirim. Aliás, desde o Madeira Festival de 2004 era comum o público da cidade comparecer aos grandes eventos na cidade.

Cartaz do METAL RO FEST III em 2005.
Cartaz do METAL RO FEST III em 2005.

Tínhamos um problema pelo tamanho do Alcova City que comportava 250 pessoas pelo laudo do Corpo de Bombeiros. Para fazer um evento dentro dos parâmetros legais é necessário preencher vários quesitos burocráticos, afinal, o Brasil é a pátria do empreendedorismo #SQN. Todos os 250 ingressos são carimbados pela prefeitura para que tenha o controle de que a quantidade máxima estabelecida seja obedecida. A expectativa era de que os mesmos seriam esgotados rapidamente.

Era um evento com nove bandas e uma enorme rotatividade de público, além disso, era permitido entrar e sair da casa, pois usávamos um sistema de carimbo com leitura de luz negra para controlar esse entra e sai.

Sabendo de que não havia problema com super lotação da casa, resolvemos vender os ingressos além do público permitido (a essa altura já prescreveu qualquer transgressão), então pegávamos os ingressos vendidos de dentro da urna e revendíamos em seguida. No total vendemos mais de 600 ingressos. Talvez tenha sido o evento exclusivamente com bandas de Metal com entrada paga com o maior público da história, pois a média não passava de 200. Só para se ter uma ideia, Dr. Sin, Aquiles Priester e o Edu Falaschi (quando vieram em Porto Velho posteriormente) juntos devem ter vendido a mesma quantidade de ingressos, mas obviamente com o preço das entradas muito maiores.

O METAL RO FEST III ficou marcado como a despedida da banda Dogma, que infelizmente se dissolveu, provavelmente foi a banda de Heavy Metal mais famosa da cidade, mas se encerrou nesse dia e nunca mais voltaram a tocar juntos. Lembro o clima de melancolia que ficou marcado o show da banda, que mesmo executando bem as músicas não estavam em sintonia no palco e mal se olhavam.

Veja a resenha do festival escrito pela equipe do Metal RO à época nesse link: https://goo.gl/4tjVqI.

O ano de 2005 ficou marcado também pela crescimento do público e da quantidade de bandas. Tudo estava se encaminhando para um profissionalismo da cena com as bandas podendo ser devidamente remuneradas, o portal chegou a ter em média 1.000 acessos semanais, o que era um absurdo para Rondônia, mas aí veio 2006…

Em janeiro de 2006 o METAL RO realizou o seu projeto mais ousado até então, que foi o “METAL RO FESTIVAL“. Simplesmente ocorreu todos os finais de semana de janeiro e no primeiro final de semana de fevereiro (sábado e domingo). No sábado se apresentaram bandas do Estado e de Rio Branco-AC, e aos domingos tiveram tributos à bandas clássicas do gênero.

Para promover o evento, confeccionamos cartazes em formato A1 e foi uma aventura colá-los pela cidade. Fizemos a cola a base de goma de tapioca em várias panelas e fomos de carro pela cidade durante a madrugada numa segunda-feira para fazer isso. Tivemos que fugir de alguns proprietários nervosos por estarmos colando no muro deles, além disso tivemos que nos esconder para não sermos flagrados pela polícia. Não lembro a quantidade de cartazes que colamos pela cidade, mas essa aventura durou horas.

Público no METAL RO FEST III em 2005.
Público no METAL RO FEST III em 2005.

Porém, apesar do sucesso do Festival – talvez o maior do gênero já feito na história de Rondônia, os custos foram altíssimos. Principalmente em relação ao aluguel do som, e por janeiro ser um mês de férias, muitos finais de semana tiveram pouco público, mas houve uma galera raçuda que comparecia mesmo para ajudar, isso foi gratificante. Ainda que até hoje seja lembrado por quem presenciou, ele consumiu todas as economias e alguns membros arcaram pessoalmente com o prejuízo ocorrido.

Depois desse fato o METAL RO ficou sem caixa para realizar os eventos. O próprio Alcova City sucumbiu e fechou as portas. Por causa disso ficamos novamente sem um lugar fixo para novas realizações. Então nesse período passou a ter com mais frequência bandas de Rock na escadaria da UNIR, de graça, para fomentar a cena local.

A Cogumelo Nuclear passou a realizar alguns eventos no Barracão do Kaiary que ficaram conhecidos com Galpão do Metal. Salvo engano, tiveram umas 3 edições naquele local. O METAL RO apenas realizou o Zé Metal em parceria com o Zé Beer, que foram divididas as despesas com a casa.

Em 2006, foram reunidos vários coletivos independentes de Rock que se juntaram para criar o Beradeiros, e por meio deles surgiu o Festival Beradeiros.

Esse Festival substituiu o Madeira Festival que não conseguiu mais patrocínios à partir de 2006, mas com muito mais cara de um Festival realmente de Rock. A princípio foi realizado no Clube Ypiranga e teve uma prévia no mesmo local alguns meses antes que ficou conhecido como “Esquenta Beradeiros”. Mas esse Esquenta esfriou o Festival de fato, então quando este foi realizado, o público foi muito menor do que a própria prévia. Talvez se tivesse sido feito em um local pequeno com poucas bandas teria o efeito esperado.

Cartaz do Festival Beradeiros 2006.
Cartaz do Festival Beradeiros 2006.

O Festival passou por problemas com a vizinhança local, pois teve uma liminar em desfavor da organização por causa do volume do som no segundo dia e toda a aparelhagem de som foi apreendida pela Polícia Ambiental. Foi mais uma ocorrência preconceituosa contra o Rock, pois já houve inúmeros shows no Clube Ypiranga com artistas de renome nacional, com uma estrutura de som muito maior e jamais tiveram problemas. Enfim, mais um capítulo para se lamentar.

Por causa do ocorrido conseguiram a continuidade do evento do terceiro dia no Zé Beer, que obviamente é muito menor que o local anterior (tinha capacidade para 500 pessoas), mas era o que tinha para o momento e não havia muito o que fazer.

Em relação as bandas do gênero, foram apenas 4 representantes: Bedroyt, que se apresentou no primeiro dia, Dead Flowers (Rio Branco-AC) no segundo dia, Silver Cry e Oblivion no último dia. Segue a resenha que escrevi na época https://goo.gl/H2cjeI.

Veja a banda Bedroyt em ação tocando a sua clássica “Marching On”:

Após o Festival tivemos mais uma baixa com o fim da banda Oblivion, que era mais uma da mais populares da cidade e infelizmente chegou ao seu fim. O ex-baixista Luís Paulo seguiu carreira musical e hoje compõe a banda Kali, que é mais voltado para uma espécie de Rock Alternativo com MPB e estão radicados em São Paulo. Possuem um disco lançado e estão com o segundo no forno.

O ano de 2007 voltou a ter mais eventos, mas a maioria deles promovidos pela Cogumelo Nuclear e nenhum pelo METAL RO. Conseguiram um ponto novo para os shows: Ponto Cultural Preto Ghóez (entre a Avenida 7 de Setembro e Mercado Central). Era um local voltado para a galera do Hip-Hop que abriu espaço para as bandas de Metal e ali foram realizados alguns bons eventos, colocando a engrenagem da cena da cidade em movimento.

Cartaz METAL JIPA em Ji-Paraná.
Cartaz METAL JIPA em Ji-Paraná.

Apesar de algumas bandas terem chegado ao fim entre 2005 e 2006 (Dogma, Oblivion e Lake Bodom/Death Crew), que possuíam uma ótima base de fãs, surgiram novas bandas que já foi fruto da nova geração pós 2001. Atribuo como geração do Madeira Festival, daí vieram as bandas Innerself (cover de Sepultura), Vórtice (Heavy Tradicional), Hell Scream (Thrash Metal), Spittfire (Ji-Paraná – Heavy/Thrash), Neófytos (Ji-Paraná – Trash Metal), Devours (Guajará-Mirim – Heavy/Power), entre outras.

Em 2007 houve o METAL JIPA Parte 2 (A Parte 1 ocorreu no mês anterior em um formato reduzido) realizado em… Ji-Paraná (tum dum ts), que foi um Festival aberto ao público numa praça à beira do Rio Machado, contando com uma boa estrutura, mas com uma organização muito atrapalhada, pois não havia previsão para as ordens das apresentações, muito menos comunicação entre organização e bandas.

Cartaz METAL JIPA Parte 2.
Cartaz METAL JIPA Parte 2.

Em contato com os membros de outras bandas, percebi que havia um intercâmbio muito forte entre as bandas da região, existindo uma cena completamente à parte em relação a Porto Velho naquela área, o que era muito legal, pois Porto Velho interagia mais com Rio Branco-AC do que com o próprio Estado, fato que ocorre até hoje, uma pena.

No final de 2007 houve a última edição do Festival Beradeiros no Kabana’s, e esse foi muito mais organizado que a edição anterior. Realizou-se em dois dias (sábado e domingo), contando com dois palcos, possibilitando que a próxima banda se preparasse enquanto a outra estivesse tocando, seguindo o cronograma dentro do horário previsto.

O diferencial desse Festival foi que as bandas participantes praticamente tocavam apenas músicas autorais. Os representantes do Metal foram: Miss Jane (Hard Rock autoral em português), Hellfire Club e Survive (Melodic Death Metal – Rio Branco).

Veja a banda Hellfire Club tocando no Festival Beradeiros de 2007:

Infelizmente foi a última edição do Festival, que por contar com muita gente em sua organização literalmente implodiu por causa de problemas de relacionamentos e se dissolveu no ano seguinte.

Cartaz do Festival Beradeiros.
Cartaz do Festival Beradeiros.

O METAL RO passou por um hiato no ano de 2007 por conta da falta de condições financeiras para promover qualquer evento, por causa disso e outros motivos pessoais, vários membros saíram da organização, seja por desânimo ou estarem mesmo de saco cheio. Ficamos por um bom período restritos a cobrir as festas que ocorriam, muitas delas graças a Cogumelo Nuclear que estava bastante engajada na cena.

Em 2008, os Festivais foram ficando mais escassos, permanecendo praticamente o Festival Casarão, aonde foi organizado em três lugares diferentes. O nome existe por causa do Casarão construído no século XIX à beira do Rio Madeira perto do Cemitério de Santo Antônio e da Igrejinha.

A Edição de 2008 foi realizado em três dias, sendo na sexta e no domingo no Kabana’s e no sábado no próprio Casarão com open bar. As bandas de Metal participantes foram: Coveiros, Mr. Jungle (Boa Vista – Hard), Hellfire Club e Incinerador.

Matéria sobre o Festival:

O Festival também contou com coletiva de imprensa, debate sobre a cena alternativa do Brasil, pois participa do circuito fora do eixo, que nada mais é um circuito que alimenta o cenário musical fora do mainstream. Em português claro: é a união para fomentar a cena underground brasileira.

Mas nem tudo são flores, por mais que tenha boa estrutura, esses festivais sempre deixam a desejar em relação a suporte às bandas locais, pois a Hellfire Club teve que se virar para montar o som no palco nesse dia e se não fosse a ajuda dos membros da banda Macaco Bong (Cuiabá-MT), esse show não teria ocorrido. Apenas tocamos porque tinha uma galera que tinha se tacado até o Casarão para nos assistir e pago caro por isso, haja vista que era open bar.

Cartaz do Festival Casarão.
Cartaz do Festival Casarão.

Os eventos de Heavy Metal geralmente rolavam no centro da cidade, basicamente para favorecer para quem ia de transporte público, principalmente na primeira metade dos anos 2000 em que o público era muito jovem e não dirigia.

Em maio de 2008 a Cogumelo Nuclear promoveu o “METAL INVADERS”, na zona sul da cidade, no ginásio de um colégio municipal da Avenida Jatuarana, além disso o evento foi beneficente, pois a entrada era 1kg de alimento não perecível.

Cartaz Metal Invaders.
Cartaz Metal Invaders.

O palco ficou localizado na metade da quadra e contava com uma grande estrutura de som que provavelmente foi cedido pela prefeitura. O único porém que o local (um ginásio) dificultou muito a regular o som, mas nada que apagasse pelo marco que foi esse evento, pois o público marcou presença e curtiu bastante as bandas. Pela quantidade participante, tamanho do local, público (oito no total), pode ser considerado um festival.

Em Rio Branco-AC ocorreu o Festival Metal Selvagem, com inspiração no “Roça’n’roll” que rola no interior de Minas Gerais. Esse foi realizado a 30 km do centro de Rio Branco, contendo área para camping (que ninguém usou), bem como disponibilizaram transporte para o público ir e vir da cidade.

Cartaz Metal Selvagem em Rio Branco-AC.
Cartaz Metal Selvagem em Rio Branco-AC.

As bandas de Porto Velho que participaram foram Hellfire Club e Nephtis. O evento ocorreu nas redondezas da capital acriana e contou com inúmeras bandas da cidade. Apenas acompanhei o primeiro dia de Festival, pois retornamos a Porto Velho no domingo, então pude ver que havia uma ótima estrutura de som no palco, embora fosse um pouco acanhado em seu tamanho.

Aqui se encerra a “era de ouro” do Metal na cidade, haja vista que à partir daí a cena passou a ter menos bandas autorais após o encerramento das atividades das bandas antigas, mas em contrapartida Porto Velho passou a receber bandas de renome nacional, além das aventuras de bandas da cidade em outros estados fora do circuito PVH-RB, como será relatado nas partes seguintes que compreenderá os anos 2009 até os dias atuais.

Clique aqui para ler a primeira parte dessa série: 2001-2003 – A Nova Onda Do Heavy Metal De Rondônia.

Clique aqui para ler a segunda parte dessa série: 2004-2008 – A Era Dos Festivais.

Continua…

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